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Guia

LUFS para Apple Music: Sound Check e o alvo

A Apple não publica alvo de loudness para música. De onde vêm os −16 LUFS, o que o Sound Check faz com faixas e álbuns, e por que o true peak é rigoroso.

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O que o Sound Check faz

O Sound Check é a normalização de loudness da Apple: o loudness de cada faixa é medido, e a reprodução é ajustada para que as faixas saiam mais ou menos no mesmo nível. Como o normalizador de qualquer serviço, é uma mudança de ganho na reprodução: o arquivo que você entregou não é alterado. Funciona nos dois sentidos. O guia do Apple Digital Masters diz que a informação do Sound Check é usada para “aumentar ou diminuir o volume de cada faixa”. Então um master alto é abaixado, e um master baixo pode ter o volume aumentado.

O que a Apple não publica é até onde ela aumenta uma faixa baixa. O Spotify publica: ele só sobe uma faixa baixa até o true peak dela chegar a −1 dBTP, então um master baixo com picos altos continua tocando mais baixo que as outras faixas. Por isso, também não conte com o Apple Music levando um master baixo até o nível das demais.

A Apple diz que o Sound Check também pode ajustar o volume por álbum, em vez de por música, para que as relações de nível que você masterizou ao longo de um disco sobrevivam; quando as músicas tocam no modo aleatório, cada uma é nivelada por conta própria. A mecânica geral da medição de loudness (LUFS, gating, loudness integrado versus de curto prazo) está em O que o LUFS realmente mede.

A consequência prática é a que vale a pena internalizar: num serviço normalizado, deixar um master mais alto não o faz tocar mais alto. Faz com que ele toque no mesmo nível, com menos faixa dinâmica. Cada decibel de loudness que você compra com compressão é um decibel que o normalizador desconta, e a compressão fica.

O Sound Check é uma configuração, não uma garantia

O Sound Check é uma configuração do ouvinte, uma chave nos ajustes do app Música. Não há como saber, para cada ouvinte, se ele está ligado.

O Spotify não é diferente nisso. Os ouvintes dele também podem desligar a normalização. E o Spotify diz que o player web e os dispositivos de terceiros, como TVs e caixas de som, não usam normalização de loudness.

Então, no Apple Music, como no Spotify, um master muito alto pode tocar mais alto para parte do público: a parte com a normalização desligada. Essa é a versão honesta do argumento da guerra do volume, e é um argumento muito mais fraco do que parece à primeira vista:

  • Só vale para quem está com o Sound Check desligado, e você não tem como saber quantas pessoas são nem como influenciar esse número.
  • Custa caro com todos os outros. Quem está com o Sound Check ligado ouve o mesmo nível com menos faixa dinâmica: uma versão estritamente pior do seu disco.
  • É nas playlists que a descoberta acontece, e uma faixa que só se sustenta quando está mais alta que as vizinhas não se sustenta numa playlist de jeito nenhum.
  • Não se repete nos outros serviços. O mesmo master vai para o Spotify e para o YouTube. O Spotify o abaixa para todo ouvinte com a normalização ligada, e quem mede o YouTube relata que ele também abaixa as faixas altas.

Masterize o disco para soar como ele deve soar. Esse conselho continua valendo com a configuração ligada ou desligada, e é justamente esse o ponto.

De onde vem o −16

  • Apple Music, -16 LUFS integrado, teto de -1 dBTP. Medido por terceiros; a Apple publica −16 dB para o Sound Check apenas nos requisitos para podcasts, e pede pelo menos 1 dB de headroom no seu guia Digital Masters.

A Apple não publica alvo de loudness para música. Os -16 LUFS que você vê citados são o que terceiros medem. O único lugar onde a própria Apple escreve −16 é a página de requisitos para podcasts, que diz que, com o Sound Check ligado, o conteúdo toca a −16 dB. O guia do Digital Masters, o documento da Apple para música, não dá número de loudness. Ele pede pelo menos 1 dB de headroom, e é daí que vem o teto acima.

Então trate o número como uma observação, não como uma regra. Ele descreve onde outras pessoas mediram a reprodução chegando com o Sound Check ligado; não é um número para o qual masterizar. Um master a −9 LUFS e um master a -16 LUFS tocam mais ou menos no mesmo nível; a única diferença que o ouvinte percebe é quanta faixa dinâmica sobrou em cada um. Como a Apple não publica o número, ninguém pode avisar você quando ele mudar. É mais um motivo para não masterizar mirando nele.

Também vale dizer o que o alvo não é. Não é um mínimo: um master baixo e dinâmico a −20 LUFS não está “errado”, e nada do que a Apple publica o penaliza. Não é um máximo cuja ultrapassagem faça você ser rejeitado: nada recusa o seu upload por ser alto. E não é um alvo de mixagem. O número descreve um master pronto, medido do começo ao fim, o que é diferente de onde você posiciona os faders. Se essas distinções são novas para você, Mixagem vs masterização é o ponto de partida.

Álbuns são nivelados como álbuns

A normalização por álbum é o recurso que mais vale a pena conhecer, porque é ele que protege escolhas artísticas deliberadas: e porque deixa de valer no momento em que o ouvinte sai do álbum.

Quando um disco é tocado em sequência, um único ajuste de ganho é calculado para o álbum e aplicado a todas as faixas. Um interlúdio que você masterizou 6 LU abaixo do single continua 6 LU abaixo do single. Um disco que cresce de um sussurro até uma parede de som continua crescendo.

Coloque uma dessas faixas numa playlist e ela passa a ser nivelada sozinha. O interlúdio baixo agora fica ao lado de faixas que foram, cada uma, niveladas sozinhas, e geralmente não foi para isso que ele foi feito. Nada está quebrado; os dois contextos simplesmente têm funções diferentes, e vale a pena decidir para qual deles uma faixa realmente existe antes de masterizá-la.

O que isso significa para a ordem das faixas

Masterize o álbum para o álbum e confira os singles como singles. Se uma faixa precisa funcionar nos dois lugares, o meio-termo costuma ser manter a dinâmica dela e aceitar que ela toque mais baixo no contexto do álbum, em vez de esmagá-la para que sobreviva a uma playlist.

O que o Apple Digital Masters realmente é

“Apple Digital Masters” não é uma configuração de loudness nem um formato de arquivo que você seleciona numa DAW. É o programa de certificação da Apple: fornecedores de masterização que atendem à especificação de entrega da Apple (fontes em alta resolução, headroom para a codificação, as ferramentas de validação da Apple) podem ser certificados, e os lançamentos entregues por eles levam o selo. O guia por trás do programa é público. É dele que vem o conselho de headroom desta página; ele não dá número de loudness, então o −16 não está nele.

Seguir o conselho da especificação está ao alcance de qualquer um; o selo, não: ele pertence aos fornecedores certificados, e é por isso que você não vai encontrá-lo como nome de preset aqui nem em nenhum lugar honesto. O conselho em si é boa engenharia, com ou sem certificação: entregue a partir do master de maior resolução que você tiver e deixe espaço para o codificador trabalhar.

O selo também não é um nível de qualidade audível. Uma entrega certificada e uma entrega comum do mesmo master resultam na mesma codificação. O que o programa de fato oferece é uma cadeia verificada: a garantia de que ninguém no caminho entregou ao codificador um arquivo já reduzido a 16 bits e 44,1 kHz e esmagado até o teto.

O true peak e a codificação

O Apple Music transmite codificações com perdas, e a codificação pode reconstruir picos entre amostras mais altos do que qualquer amostra do seu arquivo. O guia da Apple também avisa que o oversampling na reprodução pode causar clipping num master que fica no fundo de escala, e pede pelo menos 1 dB de headroom. Os picos que causam clipping são os que ficam entre as amostras, então leia isso como um teto de true peak (-1 dBTP). É o número rigoroso nesta plataforma. Um master que encosta no fundo de escala num medidor de pico de amostra pode sofrer clipping dentro da codificação, na versão da sua faixa que todo mundo de fato ouve.

Por que um medidor de pico de amostra não vê isso

Um arquivo digital guarda amostras, não uma forma de onda. A forma de onda é o que essas amostras reconstroem a caminho da caixa de som, e entre duas amostras que estão ambas a −0,2 dBFS a curva reconstruída pode passar de 0. O medidor da sua DAW mostra as amostras; o conversor, e o codificador, produzem a curva. Um medidor de true peak faz oversampling, reconstrói o sinal a quatro vezes a taxa original ou mais, para ver os picos que só existem depois da reconstrução.

A codificação com perdas piora isso em vez de melhorar, porque o codificador descarta informação e reconstrói uma aproximação cujos picos caem em lugares diferentes dos do original. É por isso que o teto existe, e por que −1 dBTP é o mínimo de cautela, e não uma folga generosa.

Esse é o motivo para medir o true peak especificamente, com um medidor que faz oversampling, em vez de confiar na leitura de pico da DAW. O nosso medidor de LUFS e true peak faz essa medição segundo a ITU-R BS.1770, a norma que o Spotify cita e que os requisitos de podcast da Apple usam, no navegador, sem enviar o arquivo. Se o master já está distorcendo, e não apenas batendo no teto, o detector de clipping e ruído é que mostra onde.

O Áudio Espacial é uma entrega à parte

O catálogo de Áudio Espacial do Apple Music não é o master estéreo com um efeito aplicado. É outro entregável (um master em Atmos, criado a partir de objetos em vez de canais) com medição e alvo próprios, separados do lançamento estéreo.

Duas consequências importam aqui. O alvo de loudness de uma entrega em Atmos não é o número estéreo desta página, então não leve o número de um para o outro. E o master estéreo continua sendo o que a maioria dos ouvintes recebe, então ele não vira cidadão de segunda classe só porque existe uma versão em Atmos.

O que é realmente a música em Dolby Atmos explica por que a entrega baseada em objetos se comporta assim e por que quase todo mundo a ouve como uma renderização binaural em fones de ouvido; a nossa página de áudio espacial trata do lado da renderização e da exportação.

−16 aqui, −14 ali: faz diferença?

Os -16 da Apple e os -14 do Spotify parecem uma decisão que você precisa tomar, e não são. O Spotify publica o número dele; o da Apple é uma medição de terceiros. De todo modo, cada serviço define o próprio nível de reprodução e ajusta o seu master por conta própria, e um master alto é abaixado nos dois. Não existe master por plataforma que valha a pena fazer só por causa de loudness; o guia LUFS para Spotify chega à mesma conclusão pelo outro lado.

A diferença de 2 LU não muda o que você entrega. Um master feito 2 LU mais baixo para a Apple não ganharia nada: com o Sound Check ligado, a Apple aumenta ou abaixa as faixas para que fiquem iguais umas às outras. A diferença real está nos masters baixos. O Spotify publica até onde aumenta um deles, e a Apple não. O guia central, Alvos de loudness no streaming, tem a tabela completa com todos os serviços.

Masterizar para o Apple Music na prática

Masterize a faixa para soar certa, mantenha o true peak abaixo do teto com um limitador de true peak de verdade e entregue a partir da fonte de maior resolução que você tiver: o codificador tem mais com que trabalhar num master de 24 bits do que em algo já reduzido. Deixe o Sound Check definir o nível para os ouvintes que o deixam ligado; esse é o trabalho dele.

  • Entregue em 24 bits, na taxa da sessão. Não converta antes para 16 bits e 44,1 kHz. Deixe o codificador trabalhar com o máximo de informação que você tiver.
  • Teto em -1 dBTP ou abaixo, medido com um medidor que faz oversampling, e não com a leitura de pico de amostra da DAW.
  • Meça o arquivo final, e não o bus de mixagem na sessão. O loudness integrado é uma medição do programa inteiro, e o que é lançado é o arquivo renderizado.
  • Confira o álbum e os singles separadamente se o disco vai ser lançado das duas formas.
  • Não masterize mirando em −16. Masterize para o que a música precisa e depois meça. O número é uma leitura, não um destino. Como masterizar uma música mostra a ordem em que as decisões realmente acontecem.

A masterização da Euphona limita o true peak a −1 dBTP por padrão, medido com oversampling, e informa o loudness e o true peak medidos de cada master: os valores que a plataforma vai ver, não os que a sessão pretendia.

As perguntas que as pessoas realmente fazem

Para quantos LUFS devo masterizar no Apple Music?

Nenhum valor específico. Masterize para que o disco soe certo e mantenha o true peak abaixo de -1 dBTP. A Apple não publica alvo de loudness para música. Com o Sound Check ligado, ela aumenta ou abaixa as faixas para que toquem mais ou menos no mesmo nível, seja o que for que você tenha entregado.

O Apple Music aumenta o volume de faixas baixas?

Sim, a Apple diz que pode aumentar. O guia do Digital Masters diz que o Sound Check é usado para “aumentar ou diminuir o volume de cada faixa”. O que a Apple não diz é até onde ela aumenta uma faixa, nem se para antes de os picos causarem clipping. O Spotify diz: ele só sobe uma faixa baixa até o true peak dela chegar a −1 dBTP. De todo modo, não há penalidade por entregar um master dinâmico: o pior que pode acontecer é ele tocar mais baixo que as faixas ao redor.

Um master mais alto ganha de um mais baixo no Apple Music?

Só para os ouvintes que estão com o Sound Check desligado, e só ao custo de faixa dinâmica para todos os que estão com ele ligado. O Spotify é igual: os ouvintes podem desligar a normalização, e o player web e dispositivos como TVs e caixas de som não a usam. LUFS para Spotify mostra o que acontece lá.

Preciso de um master separado para o Apple Music?

Não, não por causa de loudness. Um único master atende a todos os serviços de streaming em estéreo. Um entregável separado só é exigido para o catálogo em Atmos, que é de fato um formato diferente, e não um nível diferente.

Por que a minha faixa soa mais baixa que uma referência no Apple Music?

Quase sempre porque a referência tem mais faixa dinâmica, e não menos. Com o Sound Check ligado, as duas tocam mais ou menos no mesmo loudness integrado, então o que você ouve como “mais alto” geralmente é um transiente mais forte e uma mixagem mais aberta: um problema de mixagem, e não de masterização. O gênero também conta aqui; Masterização de hip-hop analisa um caso em que os graves fazem a maior parte do trabalho.

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